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sexta-feira, 7 de outubro de 2016

(Quadrinhos) R.D.P. Comix - Marcatti

       
      Se você gosta de Ratos de Porão então você com certeza já conhece o Marcatti, o artista por trás das capas dos discos “Brasil” e “Anarkophobia”. Além de produzir essas artes é um dos quadrinistas underground mais respeitado do país, além de seu traço característico e roteiros escatológicos, o autor/quadrinista ainda faz um trabalho fenomenal imprimindo todas suas edições em sua casa, e todo o acabamento das mesmas.

    Criador de personagens como Frauzio além de uma infinidade de álbum e hqs, era só questão de tempo até acontecer um encontro entre o Ratos e o artista. Assim foi, e assim nasceram as já citadas capas de discos e então decidiram ir além disso, em 92 Gordo e Marcatti se reuniram para bolar uma HQ do Ratos, ai nasci a R.D.P. Comix.
  Lançada em 92 com 3 mil cópias a revista esgotou em 2 meses sendo hoje motivo de disputa entre colecionadores e fãs da banda, assim decidiram relançar a mesma e agora nós, reles mortais teremos contato com esse material inusitado, e eu diria inédito.


  A revista tem um acabamento muito bom, impressão de qualidade, Marcatti não dá ponto sem nó, seu trabalho é completo sempre. Na edição de número 1 temos 3 estórias, a primeira sobre a música “Vídeo Macumba” (uma das minhas prediletas da banda). A segunda sobre uma banda que se “vende” e a terceira sobre carecas. Estórias simples, com desenhos incríveis e nojeiras de montão, um ótimo material para quem curte quadrinhos e um bom punk rock. Caso você tenha interesse procure Marcatti em seu site, ou melhor ainda, procure-o em uma feira de quadrinhos, aproveite para trocar uma idéia e pegar outros materiais do artista. Se eu indico? É claro que eu indico, nada melhor do que um produto puramente independente em nossas mãos!

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

9º FIQ (Cobertura in Loco)

Até o presente momento o blog apenas fez resenhas de bandas, discos e um filme e um livro, mas eis que no mês de Novembro rolou em Belo Horizonte o 9º FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos) e felizmente consegui visitar o evento pela primeira vez, você pode se perguntar; "Mas qual o sentido disso?", simples, o quadrinho nacional é uma verdadeira arena de gladiadores onde todo lançamento é matar um leão, assim como o hardcore, o cinema e qualquer vertente artística fora do eixo, fiquem então com os relatos:



Cheguei na cidade no dia 10 então primeiro dia serviu para ter uma noção das coisas e me preparar para o primeiro dia do evento. O FIQ acontece na Serraria Souza Pinto que fica no Baixo Centro de Belo Horizonte, o espaço é enorme e tem seu charme. O evento é completamente gratuito, ou seja uma circulação gigante de pessoas o dia todo. O evento ainda conta com diversos stands e mais de 100 mesas de artistas independentes, é tipo uma Mecca dos fãs de quadrinho. 

Uma parada bem legal que rola no FIQ são debates sobre os quadrinhos, rolaram debates de diversos temas, esse da imagem por exemplo, era um debate sobre jornalismo e quadrinhos o que faz quadrinhos serem interessantes para quem já é fã de quadrinhos e pessoas que não são fãs pois aborda temas do quotidiano e da vida real (nada de super-heróis). Rolaram outros debates também quanto a igualdade por exemplo e diversos outros temas. Além disso haviam palestras e actividades mais voltadas para artistas como demonstração de roteiro e de desenho.


Também rolavam as sessões de autógrafos com diversos artistas e os lançamentos de quadrinhos, a única parte ruim disso eram as malditas senhas que davam um trabalhão para pegar e acabavam rápido. Passaram muitos artistas ilustres pelo FIQ nesses 5 dias de FIQ como por exemplo Maurício de Souza, Jeff Smith, Shiko, Lu e Vitor Caffagi, Fábio Moon e Grabiel Bá, Rafael Coutinho, Joe Prado, Howard Chaykin, Amy Chu, Danilo Beyruth, Cris Peter e muito mais. 


 O evento sempre tem um homenageado, nesse ano era o artista Antônio Cedraz artista baiano criador da "Turma do Xaxado" que faleceu em 2014. Uma sessão especial onde diversos artistas fizeram suas homenagens à Antônio estava instalada logo na entrada do FIQ.

 Uma coisa legal que eu vi no FIQ foram escolas públicas visitando o evento em massa, a todo momento era possivel ver crianças correndo para lá e para cá, todas com seus uniformes do colégio pedindo desenhos para os artistas, a maioria os atendia bem, já um grupo seleto (principalmente um gringo chato) os tratavam mal. Na lateral do evento eles se reunião para comer o lanche que trouxeram na mochila, me deu uma nostalgia dos tempos de escola e do lanche que minha mãe preparava, achei a atitude legal, esses ai poderão ser os futuros leitores de quadrinhos.


Além de stands, quadrinhos importados e quadrinistas profissionais também rolaram as mesas como eu já disse, com mais de 100 artistas independentes e essa era sem dúvida uma das partes mais legais do evento, eu passei em quase todas as mesas e deixei um zine e conversei com o pessoal, eu levei mais de 100 zines e voltei com quase nada, sendo que não vendi nenhum. Conheci gente do Brasil inteiro, Piauí, Alagoas, Rio Grande do Norte, Bahia, Amazonas, Roraima, Rio de Janeiro, Paraná, Goias, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Sergipe, Ceará, Minas Gerais e muita gente de São Paulo.


Todos os dias do lado de fora do evento rolava o "FIQ Fora" que é um evento underground onde a galera se concentra embaixo da ponte e expõe seus trabalhos a fim de vender e trocar, uma parada bem subversiva, menos profissional do que os trabalhos de dentro do evento, mas de potencial parecido com o interno. Eu deixei meus trabalhos expostos lá alguns dias, mas não vendi nada, como eu disse troquei todos os meus trabalhos, ou simplesmente dei para as pessoas. 

Pois é, o FIQ acabou, mas daqui a dois anos rola a décima edição do evento, espero ter um material legal para apresentar e reencontrar todo esse pessoal que estava por lá na luta para divulgar seus trabalhos. Visitar o evento foi uma realização para mim, já que planejo o mesmo há pelo menos 2 edições atrás. Caso você seja fã de quadrinhos não se engane com esses eventos corporativos que visam ganhar grana em cima da moda dos quadrinhos, salve suas economias e visita Belo Horizonte, uma bela cidade de belas pessoas com um belo evento a cada dois anos.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

(Filme) – Prezado Sr.Waterson

Esse documentário é um deleite para os fãs de quadrinhos assim como eu. O diretor Joel Allen
Schroeder relata algo que talvez muitos dos fãs de Calvin e Haroldo veja semelhança, Joel não se lembra exatamente qual foi a primeira tira que leu, mas se lembra que gostou assim que leu e nunca mais parou. O documentário explora a longevidade da tira mesmo após o seu fim, como pode um quadrinho se manter atual e incrível após décadas de seu fim? Com relatos de fãs de Calvin e quadrinistas atuais e contemporâneos a Bill Waterson (criador e desenhista de Calvin).

Para os fãs elas têm um sentido bem emotivo, pois a maioria se via na pele do pirralhinho bocudo e encrenqueiro. Para os quadrinistas da atualidade é como um exemplo a ser seguido, Calvin é um quadrinho com mensagem e traço impecáveis. Já para os contemporâneos de Waterson, ele era um cara diferenciado que criou um trabalho original e nunca o vendeu, pois o autor não aceitou que fossem lançados produtos, assim sempre terá a essência do que um dia foi. O filme em nenhum momento vai atras do próprio autor, pois o mesmo é bem reservado e o diretor respeita isso, mas ele caça por materiais na cidade natal do mesmo e descobre uma infinidade de tiras originais, lugares que foram desenhados no quadrinho e tiras anteriores a Calvin que já demonstram a genialidade de Waterson.

São 90 minutos que passam como 9, volto a repetir, para os fãs de quadrinho um documentário fundamental. Lançado em 2013, o filme foi selecionado para diversos festivais de documentários, principalmente nos Estados Unidos e recebe nota 6,3 de 10 no IMDB.




Texto por: Wallace Nunes