Eis que chegamos em 2017 com boas noticias, os caras do Hopesfall anunciaram um disco novo para esse ano, mas pera ai, quem é Hopesfall?
Nos idos dos anos 2000 quando minha principal fonte de música era uma internet discada e um programa chamado "imesh" meu irmão selecionava vídeos de bandas aleatórias e ouvíamos para ver se era bom ou não, depois desse pente fino escolhíamos o que gostávamos e baixávamos a discografia. Foi assim que conheci muitas bandas e uma delas foi o Hopesfall.
(vídeo que eu assisti em 2000 e guaraná com rolha....)
A banda é da Carolina do Norte e iniciou as atividades em 1998 e nesse mesmo ano gravaram o primeiro disco "The Frailty of Words" que só foi lançado em 1999 por um selo cristão "DTS Records". O disco conta com 10 canções e eu particularmente não sou muito fã, nunca consegui parar para ouvir direito e na verdade nunca tive vontade, mas meu irmão por exemplo adora esse álbum.
Com quase a mesma formação lançaram em 2001 o EP "No Wings to Speak of", por outro selo, já que sairam da pegada "cristã", e para mim é o momento que a banda fica de fato muito boa. O EP conta com 4 faixas e uma é melhor que a outra, "Open Hands to the wind" é demais, começa bem pesada, vocais guturais, do nada uma reviravolta e o som fica angelical, dedilhado, olha eu acho que vai ficar até exagerado, mas meu fanatismo por esse EP é tanto que vou cansar o leitor de tanto exaltar. Seguimos com "April left with silence" primeira música que eu ouvi, e ela foi boa o suficiente para me fazer querer mais, então espere algo muito bom. Em seguida temos "The end of an era" e seguindo o padrão de qualidade do EP o som é perfeito é serio nem vou falar de "The far pavillions" escute esse EP e você entenderá.
Em 2002 a assinaram com a "Trustkill Records" para o lançamento do disco "The Satellite Years". Antes de lançar o álbum a gravadora relançou o EP "No wings to speak of" no mesmo ano. Agora com um novo vocalista, Doug Venable sai para dar lugar a Jay Forrest. O disco foi gravado em Abril e lançado em Outubro, mantendo a pegada da arte do "No Wings to Speak of" o design parece ter vindo de outro planeta, como se a banda fosse espacial, e de fato esse aspecto gráfico traduz o que o som inspira, por vezes ao ouvir Hopesfall eu me sinto em outra galáxia, ou viajando por entre o cosmos e os planetas.
(fala sério, olha essas capas....)
"Satellite Years" é um discão, com 10 músicas, dentre elas duas instrumentais, a sonzeira é completa, na boa eu não consigo ouvi-lo separadamente, para mim é uma obra completa, tem que ouvir da primeira até a ultima sem interrupções. Esse disco tem uma gravação/produção melhor que os outros então eu sinto que seja o ápice da banda, o ponto mais alto entre peso, arte, instrumental e tudo o mais, foi o que fez se consagrarem dentro e fora dos Estados Unidos.
(Esse link é um vídeo feito pela própria banda, ele está na conta pessoal de Adam Morgan, o baterista)
Com a turnê do disco a banda tocou em diversos festivais e nessa lista temos o Hellfest 2003. A apresentação foi registrada para o DVD do festival que contou com a canção "The bending" e com uma perfomance sem precedentes causou curiosidade em muitas pessoas tornando a banda cada vez maior e mais incrível.´
(videoclipe feito com pedaços da apresentação da banda no Hellfest 2003, esse DVD fez muito sucesso o video na integra está nesse link)
Em 2004 lançam então seu terceiro álbum "A-type". Novamente pela gravadora "Trustkill Records" esse disco vem com a arte tão incrível quanto os últimos discos, com videoclipe de lançamento e tudo mais, mas algo mudou, a começar por sua formação, o único músico de 98 que permaneceu foi Joshua Brigham (guitarrista). Nesse disco os vocais de Jay Forrest são quase todos cantados, pouquíssimos guturais, a banda ficou com uma cara de rock-alternativo mais do que post-hardcore, mas tudo bem, fã que é fã encara tudo com bons olhos. Apesar das mudanças ainda era o Hopesfall e assim não tinha como o disco ser ruim, não é? Instrumental incrível, letras muito boas e possíveis de rolar aquele bom e velho "sing along". Apesar da mudança, e somente por conta da mudança, a banda atingiu o 23º lugar em duas paradas da Billboard "US Top Heatseekers Albums" e US Independent Albums".
(vídeoclipe de Icarus do álbum A-types)
(olha os caras no cristo ae!!)
E ai chegamos no Brasil. Com a espera do lançamento do "A-types" por conta da boa turnê de 2003 nos EUA, aqui no Brasil ficou a curiosidade de todos por esse novo álbum e um selo decidiu lançar por aqui a um preço bem legal, acho que na época custava R$20,00. Assim a Artery Music lançou o disco, e com esse lançamento veio uma grande surpresa: A tour na américa do sul em 2005. A banda iria passar por São Bernardo do Campo, Belo Horizonte, Taubaté, Curitiba, Balneário Camboriú e São Paulo entre os dias 11 e 16 de Outubro, um show por dia. Eu na época tinha 14 anos de idade não tinha dinheiro nem para o ingresso (R$20,00) mas se fosse hoje eu teria ido em todas apresentações no estado de São Paulo! Enfim, fui na última data no lendário Jabaquara e foi insano. O show foi animal, acho que umas 2 horas de som, tocaram sons do "A-types", começaram com "Per sempre marciamo". Mandaram sons do "Satellity Years" e "No wings to Speak of" também. Me lembro que no bis "The end of an era" eu já não aguentava mais respirar. Um show incrível, jamais vou me esquecer!
(Show no Jabaquara, eu estava bem do lado do batera)
Depois dessa tour a banda ficou meio parada, ao menos eu não tive mais notícias dos caras, então em 2007 foi lançado o que seria o último disco "Magnetic North" com arte fenomenal. O disco também saiu pela "Trustkill Records" e seguiu um pouco a linha do "A-types" mas com mais peso por vezes, lembrando vagamente o "Satellity Years", por fim depois de gravar e sair em tour a banda inteira se demitiu, o único que permaneceu foi Jay nos vocais. Com outros músicos ele terminou a tour e ainda tentou continuar a banda, mas foi impossível, em Janeiro de 2008 eles anunciaram o fim.
(Existe uma série de videocast da gravadora para divulgar o "Magnetic North", essa é a parte 1/3)
Mais tarde a banda trouxe a publico que a gravadora Trustkill não cumpriu com muitas coisas, por exemplo devia a banda e parou de pagar motorista e equipe no meio da tour, os caras só conseguiram terminar fazendo empréstimo, a banda chegou a declarar que odiavam a gravadora e o dono da mesma, e além disso eles não foram os únicos músicos ou banda a reclamar da gravadora. A gravadora alterou as músicas do último disco sem antes falar com os caras, o que ajudou a faze-los desistir.
Em 2011 rolou um reunion para comemorar os 10 anos do "No wings to speak of" esse reunion foi com o primeiro vocalista, Doug, e só rolaram dois shows. No final de 2016 a banda anunciou seu retorno e um novo álbum para 2017, agora basta esperar!
Hoje vou começar uma parada nova por aqui, uma sessão chamada "Profile" onde vou falar de bandas que muito provavelmente já acabaram e que eu gosto muito.
A primeira vez que eu ouvi a Folly foi lá em 2005 vi o clipe de “Broken” ainda de uma demo deles, isso
foi um ano depois do lançamento do disco “Insanity Later” e de cara já fiquei
curioso para escutar mais o som dos caras.
(Dê um play antes de começar a ler e leia ao som dos caras)
Bom então vamos a história:
Da cidade de Sussex, New Jersey o
Folly iniciou suas atividades em 1997, começou na época da escola, numa
pegada ska, punk, metal, um verdadeiro mix de influências. Levou um tempo até
ter uma formação precisa, mas em 98 conseguiram gravar um primeiro disco demo
intitulado apenas como “’98 Demo”, um ano depois lançaram um novo demo
intitulado “‘99 Demo”, infelizmente eu nunca consegui encontrar esse material e
acreditem eu procurei muito (caso você tenha por favor me envie) essas demos eram
feitas em casa com tape deck e distribuídas em shows apenas na região de New
Jersey e imediações.
Em 2001 já estavam com um
estilo mais definido e gravaram o EP “For My Friends” que foi lançado pelo selo
“New World Records” e após esse EP alugaram uma van e tentaram fazer uma tour
agendando seus shows com “Face First”, grande parte dessa tour eles
tocaram para quase ninguém ou até mesmo para ninguém, mas serviu para que
crescessem como banda.
Em 2002 gravaram um novo demo
intitulado apenas como “´02 Demo” com apenas 3 músicas, esse demo foi produzido
por Sal Vilanueva (Taking Back Sunday, Thursday) no estúdio Big Blue Meenie e
após esses sons conseguiram uma tour com Converge, The Survivors e A Life Once
Lost, nessa tour eles fecharam com Fred Feldman, dono da Triple Crown Records.
Em 2003 gravam o disco “Insanity
Later” que foi lançado em 2004 pela Triple Crown Records, e ai mudaram
completamente a cara da banda, apesar do disco trazer elementos que já estavam presente,
nesse disco o estilo é muito mais hardcore, misturando com ska e
breakdowns impactantes. Aliado a tudo isso temos os vocais de Jon Tumillo que
parecem mais malucos do que nunca, ele sai de guturais extremos para vocais
melódicos com uma vozinha esganiçada que para mim era coisa de outro planeta. O
disco trouxe músicas que falavam da educação (Discussion is for the Pigs)
quanto a cena do punk/hardcore (Please Don't Shoot the Piano Player...) por ser
bem diferente foi ignorado por muitos que não entenderam a pegada, e
exaltado por outros que sacaram que aquilo ali era bem único.
Os integrantes definem o
nome da seguinte forma: “Folly é exatamente o que nós somos, não apenas um
bando de idiotas tocando ridiculamente e explorando gêneros musicais, mas
pessoas que estão constantemente chutando para baixo e sorrindo com deboche
contra as adversidade do mainstream”
Então em 2006 lançaram o
disco “Resist Convenience” que mostra aquele mesmo “Folly” agressivo e rápido
pulando do extremo hardcore para o ska e de lá para um breakdown como só eles
podiam fazer. O disco é completo, não tem como ouvir e pular uma única música
que seja. Me lembro de ir para o colégio todos os dias escutando esse disco,
meu MP3 na época tinha apenas 128MB, então cabia apenas as 11 músicas do disco,
ida e volta do colégio ouvindo “Folly”. Nesse disco tratam de temas como
a homogeneização da cultura (Brooks was Here), o “Underground Fashion” (Bonfire
of the Manatees) e vicio em drogas (We Still Believe...).
Tocaram em 48 estados, com bandas como
Senses Fail, Moneen, The Beautiful Mistake, Paulson, We're All Broken, My
Bitter End, Anterrabae, The Banner, Underminded, One Dead Three Wounded, The
Break, Look What I Did, Drop Dead Gorgeous, Blind Luck Music, The Human
Abstract, The Forecast, The Static Age, Converge, Dillinger Escape Plan,
Stretch Arm Strong, Catch 22, Big D and The Kids Table, Dragonforce, With
Honor, e muito mais. Participaram de festivais como Hellfest (NJ, 2004), Skate
and Surf Fest (NJ, 2003–2005), New England Hardcore, Metal Fest (MA, 2005–2006),
Saints e Sinners Fest (NJ, 2006).
Em 2008 lançaram o ultimo
trabalho “These are the Names of the Places We Broke Down” um EP com 8 músicas
que foi lançado apenas de forma digital. Cada música tem o nome de uma cidade
com o estado onde eles tocaram, a última música “Sussex – New Jersey” é a
mistura de “The Morning Song” e “Please Don't Shoot the Piano Player” (músicas
de abertura do disco “Insanity Later”) toda tocada no piano, e Sussex é a
cidade natal dos caras.
Em 2008 a banda anunciou seu fim,
fez uma sequencias de shows de despedida em New Jersey. Em 2011 fizeram alguns
shows de comemoração apenas para alguns fãs, família e amigos. Em 2014 fizeram mais um show e desde então
nenhuma noticia de reunião ou novos lançamentos, cada um entrou em novos
projetos musicais e bandas. O vocalista Jon Tummillo hoje é professor de inglês
na Union High School (os alunos nem devem imaginar que professor da hora eles
tem).
Folly era: Arben Colaku no baixo,
Agim Colaku e Geoff Towle nas guitarras, Anthony Wille na bateria e Jon
Tummillo nos vocais. A banda lançou ao todo 3 demos, 2 Eps e 2 Discos sendo:
- ’98 Demo (1998)
-
’99 Demo (1999)
-
For My Friends EP (2001)
-
’02 Demo (2002)
-
Insanity Later (2004)
-
Resist Convenience (2006)
-
These Are The Names of Places We Broke Down In: EP (2008)
(Reunion em 2011)
Para ouvir os sons da banda: NJPP Archives
Fonte de pesquisa: Wikipedia
Fotos roubadas do Google
Texto por: Wallace Nunes