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quarta-feira, 19 de outubro de 2016

(Disco) MUTE - Remember Death

    No dia 14 de Outubro foi lançado o tão aguardado novo álbum dos canadenses do MUTE, "Remember Death" é o título do trabalho e ele foi comentado em primeira mão aqui no blog em uma entrevista concedida pela banda no final do ano passado, e publicada no começo desse ano, se você não leu confira aqui.
    O potencial instrumental do MUTE nunca pode ser desafiado, a banda é uma verdadeira orquestra do hardcore, nada deixa a desejar, batera, baixo, guitas e vocais a banda é realmente foda e merece todo o respeito que conquistou, mas vamos falar do álbum.
   O álbum começa de forma contundente, como sempre foi, e com melodias diferentes dessa vez, a forma de cantar e Étienne mudou ligeiramente e ai eu vejo uma evolução positiva, ousar mais no vocal é algo que acrescenta muito no som da banda, apesar de entender as limitações de cantar e tocar bateria a primeira música "Resistance" tem uma linha de vocal muito boa, além de instrumental monstruoso. Para mim o disco continua pesado na segunda faixa "Fill the Void" que já veio com clipe, a letra da música fala de nossos amigos e entes queridos que já partiram e afirma que devemos preencher o vazio deixado por aqueles que partiram (como sugere o título) e compartilhar a tristeza pois assim a miséria de cada um sera dosada, talvez uma mensagem muito pesada para uma banda de hardcore, mas se pensarmos bem os caras já não são adolescente e seus trabalhos estão refletindo problemas pessoais de cada um, quando no fim da letra é citado o dia 2 de Novembro provavelmente remetendo a partir de alguém importante para um dos membros. Gostei muito dessa abordagem!



 A partir da música de número três "The Dagger" passando por "Best Fights" e "A Love Affair with Fair" tem uma pegada menos rápida, seja em refrões ou pontes, mas dá uma desacelerada no ritmo ou talvez sejam os backing vocals mais agudos que me trazem essa impressão de baladinha. Com o som "Allies" a banda volta a botar para correr novamente ousando nos vocais e com êxito na tarefa. Com a canção "A Mirage of Safety" voltam os backings agudos novamente eu sinto que perde um pouco o peso, apesar de um riff de guitarra pesadissimo. "Dead White Desert Route" também vem com uma pegada mais balada, até mais do que as anteriores, mas então "Black Heart" já entra com dois pés no peito, hardcore do jeito que gostamos! Correria do inicio ao fim o disco se mantém entre acelerar ao extremo e tirar o pé um pouquinho para em seguida voltar com tudo, muito bem bolado a ordem das músicas assim o disco nem começa morto ou termina morto, mas segue uma constante de subida e descida. "Santa Muerte" quebra o ritmo da anterior começando um pouco mais lenta, estão se preparando para o grande finalle, em seguida temos "Walking on a Thin Line" que com backings agudos novamente traz uma parte instrumental muito bem bolada perto do final da canção acabando com um fade e a entrada de um quarteto de cordas e tambos sinfônico, como um funeral, ou melhor, como um réquiem.
Um disco completo, como eu disse no começo, MUTE não decepciona, de longe as mais rápidas são as que mais de agradam, destaco as duas primeiras "Resistance", "Fill the Void" em seguida "Allies" e por fim "Black Heart", claro que essas foram as primeiras impressões do álbum, mas faça melhor que isso e escute o mesmo e tire suas próprias conclusões. Ele está disponível no bancamp da banda neste link. Além disso há um "documentário" ou algo assim no youtube oficial da banda de toda a produção do disco, infelizmente está em francês com legendas em inglês, mas aquele velho papo né? Quem quer se vira.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

(Entrevista) - MUTE - (Canadá)


Mute é uma banda de Hardcore de Quebec, os caras são 100% DIY e já tocaram 55 shows entre América do Norte e Sul, Europa e Asia. A banda já passou pelo Brasil duas vezes, da primeira vez com uma tour na região sudeste e sul do país com os caras do Bullet Bane e a segunda passando por outros países. Como a música do disco “The Raven” diz, eles estão “Voltando” para o Brasil para um tour com outras bandas de hardcore e felizmente aceitaram responder algumas perguntas para o Folha Alternativa.



Folha Alternativa: E aí pessoal, eu sou um grande fã da banda e estou bem feliz de ter a chance de entrevistá-los. Primeiro de tudo, eu sei que vocês estão na estrada a 16 anos, então por favor conte-nos como tudo começou, como decidiram se encontrar e montar a banda.

Mute: Tudo começou no colégio, no meio dos anos 90. O Punk Rock estava passando por sua segunda leva e nós nos encontrávamos no meio disso. E foi para a vida toda. Nessa época 3 membros de 4 estudavam na mesma sala no colégio.

FA: Vocês tem 3 álbuns e estão planejando um novo, como o processo de criação das músicas e letras acontece? Vocês trabalham juntos ou alguém tem uma ideia e mostra para os outros e ai começam a trabalhar nisso?

M: A música vem primeiro. Às vezes uma ideia básica, as vezes como algo completo. Alex nosso guitarrista vem com a maioria dessas ideias de músicas. Nós ensaiamos a música como uma banda e damos vida a ela. Nós tocamos com tempos, estruturas e dissecamos todas as partes para faze-la tão boa quanto pode ser. Quando todos estão felizes com o resultado, eu (Etienne) ou JP (Jean-Philippe Lamonde) pegamos a música e trabalhamos nas melodias e letras separadamente. Quando as letras estão completas, nós então voltamos para a música mais uma vez para ter certeza que se conecta 100% com o que foi feito na letra.

FA: Vocês sempre fazem posters e vídeos interessantes sobre as tours, como o vídeo da ultima tour da América do Sul que todos falam espanhol, isso mostra que você realmente se preocupam em se comunicar com o público, aonde que que eles estejam. Eu adorei aquele poster da tour do Japão com os dentes do Godzilla, quem planeja essas coisas (Posters, vídeos, capas e etc..)? Ou elas meio que aparecem?

M: Eu aprendi Design Gráfico fazendo o layout do primeiro CD e os posters da banda 16 anos atrás. Isso me fez estudar artes na universidade. Eu trabalhei como designer gráfico período integral uns anos atrás mas eu mudei 5 anos atrás para a fotografia (http://facebook.com/etiennedionnephotographe). Eu amo fazer as coisas para a banda. Isso de fato revela quem eu sou.

FA: Além de música, alguém na banda trabalha com algum tipo de arte, como desenho, pintura, escrita e vídeo?

M: Eu (Etienne) sou o único da banda que tem um background artístico. Eu faço ou coordeno 95% de toda a arte visual que já foi feita para a banda. Como uma banda 10% DIY todo mundo tem suas tarefas para fazer e para que a banda funcione. Essa é a minha parte.

FA: Eu gostaria de fazer mais mil perguntas, mas vamos para a última. O que podemos esperar para o próximo algum? Quando ele estará pronto para ser lançado?

M: Essa é a primeira vez que falamos do novo CD. Primeiro eu gostaria de dizer que o que nós escrevemos reflete as músicas que nós mesmos gostaríamos de ouvir: Rápido, técnico e melódico. Nós nunca trabalhamos tão duro em nada assim antes. Escrevemos 16 músicas mas o produto final vai ter 11-12 músicas + bonus tracks para lançamentos estrangeiros. Nós continuamos acreditando que o formato álbum completo te dá músicas o suficiente para criar um momento com a banda. As gravações começarão com a bateria no meio de Janeiro. Vamos fazer uma pausa no fim de Fevereiro para ir para a América do Sul participar da We are One Tour (com Lagwagon, Belvedere e Adrenalized). Estamos ansiosos por isso. Nós pretendemos lançar mundialmente no começo do Outono de 2016 (Setembro/Outubro).


Gostaria de agradecer à banda e espero que continuem vindo para o Brasil fazendo shows monstros como os últimos. Se você quiser conhecer mais da banda confiram os links:



Para mais infos da We Are One Tour: